Documentários que amamos - parte II

Vendo a aceitação que foi a primeira parte dessa lista, não poderia deixar de caprichar nessa aqui, para continuar sendo um sucesso essa proposta tão bacana e que deve poder popularizar docs como sendo excelentes formas de se contar histórias, sem cair em mesmices. Sendo assim...aqui vão mais cinco sugestões de obras documentais para vocês conferirem. Como sempre, todas disponíveis no Netflix.
Então pega a pipoca e vamos lá!


05 - Iris


Sobre o que é? O documentário faz uma viagem através da vida da designer Iris Apfel, uma extravagante fashionista que, com mais de 90 anos, continua dando conselhos de moda e pechinchando com os vendedores. 
O que se destaca? Iris é uma figura! Com os seus óculos grandes, acessórios espalhafatosos e roupas que ninguém mais usaria do jeito que ela usa, esse documentário merece atenção pelos detalhes e pela figura que estrela ali. Intensa, interessante e ousada, Iris prova que estilo não é uma questão de idade.

04 - Minimalism: A documentary about the important things


Sobre o que é? Minimalismo. Como em sua própria definição parece mostrar, minimalismo é a redução de coisas (especialmente materiais) ao mínimo, de modo que tenhamos apenas aquilo que realmente usamos, queremos, importa e conte.
O que se destaca? A forma como as pessoas abordam as concepções do minimalismo e como elas decidiram mudar para essa forma de vida. Talvez o minimalismo esteja se perpetuando entre as pessoas e esse seja o próximo passo para a humanidade passar a valorizar o que é realmente importante. Mas o que é realmente importante? Esse doc tenta explorar.

03 - Burlesque: heart of the glitter tribe


Sobre o que é? Burlesco é uma forma de arte meio que deixada de lado no tempo contemporâneo e esse documentário faz um exercício de buscar informações sobre ela e sobre as pessoas que aidna praticam esse tipo de entretenimento.
O que se destaca? Dita Von Teese é provavelmente o único nome que você já deve ter ouvido falar sobre Burlesco, ou no máximo teve contato com aquele filme estrelado por Cher e Christina Aguilera, no entanto tem muito mais coisas em jogo para essas artistas e muito mais gente envolvida em fazer esse tipo de espetáculo acontecer e bombar.

02 - Winning


Sobre o que é? A carreira de cinco atletas de elite são colocadas em foco, quando eles são perguntados o que os motiva, como chegaram onde chegaram e qual a importância da vitória em suas vidas.
O que se destaca? Numa época onde não vale fazer o seu melhor, e sim ser o melhor, esse doc traz em questão questões muito importantes, como qual a necessidade disso? Quanto que abdicamos em busca da excelência e qual a importância disso em nossas vidas. Através das opiniões de cinco vencedores emblemáticos, olhamos para o que nos impulsiona na noção de sermos vencedores.

01 - Embrace


Sobre o que é? Taryn Brumfitt, uma ativista plus size, mostra a sua luta para fazer as pessoas questionarem porque se sentem constrangidas com os seus próprios corpos. 
O que se destaca? Além do bom humor e seriedade os quais Taryn leva a questão para as pessoas, o doc é bastante profundo, tocando nesse misto de assuntos tão intensos, envolvendo: aparência, amor próprio, vergonha de si e expectativa alheia. Numa época em que as pessoas estão começando a serem celebradas por quem são, Embrace mostra que é preciso ir mais longe ainda.

Desafio da Cápsula - VIII


Parte 8.1

E esse trimestre, que marcou um ano da experiência do Armário Cápsula não poderia ter sido mais intenso do que foi. Mudanças profissionais, sociais e afins marcaram esse momento e, mais ainda, me fizeram não ter tempo de dar um feedback no meio do trimestre, muito menos atualizar esse blog. Mas calma, ainda estou no prazo para falar sobre esse trimestre e também esses 365 dias de #DesafiodaCapsula, especialmente porque hoje é 01/12 e foi no dia 30/11 do ano passado que eu tomei a decisão de simplificar vários aspectos da minha vida e dos meus hábitos.
Gente, parece bobagem isso, mas a cada vez que eu abria o meu guarda-roupas e via aquele bando de peças que eu não fazia a menor ideia de como usar, ou que eu me arrependia da existência ali, uma tristeza batia forte e mais ainda porque eu sabia que aquilo tudo era, na verdade, peso morto no meio de um dia a dia atribulado. Acho que uma das piores sensações que você pode ter, é de olhar para o que você tem e não se sentir feliz com nada daquilo e a minha atitude de simplificação veio muito desse lugar. 
Desabafo feito, segue outro: quando eu comecei essa experiência, há um ano, eu tinha (e não se escandalizem com isso) pouco mais de 2000 peças no guarda roupas, entre sapatos, blusas, vestidos, calças, shorts e afins. Sem contar com bolsas, pijamas, roupas de academia e etc. Isso é muito, não é verdade?! Então o meu objetivo secreto (que eu não falei para ninguém no início dessa jornada) era reduzir pela metade isso, até chegar num ponto em que eu pudesse realmente ver o que eu tinha (sem aquela pilha de cabides e peças amontoadas) e tomar decisões mais coerentes com o estilo que eu (hoje posso dizer que) tenho e venho procurando lapidar a cada dia. Eu consegui reduzir bem mais do que a metade e fui para 900 e poucas peças, que conversam entre si, são mais funcionais, podem transitar entre ambientes e acrescentam algo. É lógico que esse número ainda é exagerado (pelo menos eu ainda acho), mas em compensação, sinto-me bem mais a vontade e contente com o que tenho em casa. Também é preciso trabalhar em termos de qualidade e acabamento, mas vou chegar nisso mais à frente.


Parte 8.2

Mas não se engane, como Iris Apfel fala lindamente no documentário Iris, "Não pense você que tudo isso é sem esforço algum!", é preciso pesquisa constante, é preciso um investimento de tempo, é preciso um investimento de ousadia. Principalmente porque eu trabalho com criatividade, com pessoas diferentes, com ideias divertidas, mas ao mesmo tempo, com narrativas que precisam de seriedade, alunos que precisam de referência e, é lógico, auto avaliação constante.
Eu sou a pessoa a agradar comigo mesma e normalmente é essa pessoa a mais complicada de todas!
Por isso no feedback desse trimestre, aqui vão as minhas combinações favoritas, baseadas nos três desafios que eu me propus para esse período:

01 - Peças Separadas: dar mais moral para calças e investir tempo em compor looks formados por dois ou mais elementos. Percebi que ainda tenho que investir muito nisso, no sentido de aprender mais sobre o que combina com o quê, como escolher tecidos e cores. Tenho um longo caminho pela frente...
Calças foram o meu plus de desafio, porque as coloquei como protagonistas esse trimestre.

As saias continuam sendo minhas peças favoritas em combinações separadas, acho que isso não vai mudar, não.

Vestidinhos são lindos, mas reduzir bastante o seu uso e também a escolha desse tipo de peça para esse trimestre. Quando os usei, fiquei tentando planejar formas de combinar com outros itens, como uma blusa por cima (foto 2), ou uma terceira peça (veja a seguir).

02 - Camisetas: Uma peça que eu sempre olhei de esguelha e que sempre considerei não ter nada a ver comigo, coloquei em prioridade esse trimestre, tentando acessar um lado lúdico e criativo de mim mesma. Acabei me divertindo muito com essa peça e descobrindo que ela não é tão nada a ver comigo, desde que eu escolha bem.
Camisetas coloridas, divertidas e com estampas significativas têm sido a minha praia. Adoro!

03 - Terceira peça: Essa eu não considero como missão cumprida. Continuei com muita dificuldade em entender como posso compor terceiras peças nos meus looks. Preciso aprender muito ainda e vinda de um lugar onde não é comum se usar esses elementos, agora que estou olhando para as opções possíveis e entendendo o potencial. O Pinterest virou uma ótima força de continuar essa pesquisa e tomar decisões. Mesmo assim, deu para brincar um pouco.
Terceiras peças não são apenas casacos, jaquetas, boleros e afins, mas são itens considerados há mais num look, então podem ser encharpes, cachecóis, suspensórios, meias calças e afins. 

Parte 8.3

Aqui entram as minhas projeções para o próximo ano. Preciso dizer que não pensei muito bem em como as coisas vão continuar funcionando daqui para frente, só sei que o conceito do Armário Cápsula já é uma realidade na minha vida e que logo logo eu estarei com as peças que eu posso me orgulhar de estarem na minha vida. Para o próximo ano quero aplicar as lições que estou aprendendo no livro "Os segredos do guarda-roupa europeu" de Anuschka Rees, que, citando a autora:
(O Guarda-Roupa Europeu) é ajustado ao seu estilo pessoal e de vida. Contém tudo o que você precisa para se sentir confiante e motivada todos os dias — nem mais, nem menos. Não se baseia em tendências, definições de estilo ou em uma lista predefinida de “itens essenciais”. Sua vida não é predefinida, então por que seu guarda-roupa deveria ser?
As ideias contidas ali caminham muito próximas aos princípios do minimalismo e ao mesmo tempo não estão na vibe do modus operandi que eu tanto desprezo. Além disso, Anuschka traz experiências reais com ideias inteligentes de aplicação de soluções para alguns dos dramas mais comuns que vivemos no nosso dia a dia, como ter que ir do dia à noite com a mesma roupa, mesmo que sejam para ocasiões totalmente diferentes. 
Então o meu #DesafiodaCapsula desse ano será um de lapidação, divido em algumas metas:
1 - Lapidar o meu estilo pessoal, podendo descrevê-lo em uma frase.
2 - Fazer substituições inteligentes, de peças-chave e que carreguem a mensagem do estilo pessoal.
3 - Fazer compras realmente boas, investido em tecido, acabamento e corte. (provavelmente isso vai levar mais de um ano para acontecer, mas a gente já começa o processo).
4 - Fazer alterações otimizadas, de peças que ainda têm potencial, mas que por alguma razão, já não me servem mais como antes.
5 - Aprender a reconhecer o que é uma compra realmente boa, de uma compra por impulso e/ou indecisão. 
6 - Aprender a usar acessórios, terceiras peças e outro itens que são voltados para finalização e complementação de looks.

Bom, Desafio 2018 lançado, focos decididos, então vamos lá! 

Indicações para um início bombástico de 2018.
Livro: Os segredos do Guarda-Roupa Europeu - leia a introdução aqui.
Documentário: Iris - Tem no Netflix
Instagram: Patrícia Mara - uma excelente consultora de moda e estilo que dá dicas constantes de composições de looks, cores e afins.

Gente assim tem em todo lugar

Tudo começou, quando eu li um comentário no Globo Play que dizia "Nossa, mas só tem gente ruim nessa novela!". Fiquei pensando sobre e, por coincidência, no mesmo dia estava vendo a série Glow do Netflix, em que, num determinado episódio, uma das personagens questiona o diretor do programa porque ela deveria aceitar ser a vilã. É quando ele diz: "O diabo tem as melhores falas". 
Como duas peças que se encaixam, o comentário dessa pessoa, com a fala desse personagem, me peguei pensando sobre o que significa ter uma novela como O outro lado do Paraíso, no horário o qual ela está e falando com tanta tranquilidade de comportamentos do dia a dia, mas que de repente, ao serem expostos na tv são vistos como "coisa de gente ruim".

Complexo isso, sendo assim e tendo em vista ainda o pouco tempo que a obra se iniciou, arrisco dizer que ela já mostrou a que veio, expondo comportamentos enraizados e naturalizados na nossa sociedade. Expor é, de fato, a palavra certa, porque no trabalho de Walcyr Carrasco, quem questiona é visto como moralista, por quem é questionado, e se acaso questiona de um lado, é muito capaz de reproduzir outros padrões, em outras situações.
E como o leque é abrangente, O outro lado do Paraíso tem espaço para o que precisar ser revisto, cutucado, incomodado e falado. Desde o machismo, diferenças de classe, homofobia, até racismo e preconceito de altura, causando coceira com a naturalidade com que os personagens falam dessas questões. "Ah, ela não obedeceu o marido tinha mesmo que apanhar!"; "Mulher minha não faz isso..."; "quem vai se apaixonar por uma anã"; "Meu filho é macho!"; "Imagina eu, tendo um neto preto!"; são algumas das frases pescadas ao longo dessas semanas de novela. É de deixar a gente de cabelo em pé e, como o comentarista no Globo Play disse, achando que só tem gente ruim ali. 
Mas não é bem assim.

A maioria desses personagens ficam pairando no espectro do cinza, onde o simplório preto no branco não dá conta. Todos eles têm fraquezas, tem limitações, tem crenças e até algum tipo de preconceito e é a partir de situações corriqueiras que isso aparece, sendo talvez aí que more a impressão de que é todo mundo ruim, porque no dia a dia, as pessoas não percebem o quanto podem ser "ruins". Desse jeito, então, é impossível não lembrar de alguém, ou mesmo ver claramente um ser humano retratado ali, condicionado pelo meio e muitas vezes sem a menor força de continuar lutando, ou mesmo não perceber que está sendo uma pessoa "ruim". 
Num prisma bastante amplo de hipocrisias e pressões sociais, o ritmo da novela não me parece ser ditado pela mocinha que voltará em busca de vingança, mas por quantas vezes ficamos chocados com a tranquilidade com que subornos acontecem, preconceitos se reproduzem, machismos se proliferam e o quanto estamos acostumados com algumas dessas coisas. Tem que se escandalizar, tem que se chocar e tem que fazer algo para mudar isso! Olha que contribuição linda que essa história pode trazer, se isso acontecer?!

Então na lógica de espantar e fazer a gente repensar algumas coisas, muito mais do que discutir em cena, O outro lado do Paraíso tem dois caminhos a seguir; enriquecer seus personagens, além dos seus enredos, criando continuidade a exposição que têm feito, ou se perder no marasmo de tantas outras obras da teledramaturgia brasileira, em que a vingança de Clara (Bianca Bin) é a única força motriz da história. Torço muito pela primeira opção.

Tempo de mudança


Como vocês devem ter percebido, desde julho eu ando um pouco sumida daqui do Mesa. Isso acontece mais ou menos a cada ano, que é justamente no início do segundo semestre, quando eu to em um movimento intenso de projetos, decisões e mudanças de vida. 
Pois é, esse ano não seria diferente. Tenho uma série de novidades para compartilhar, mas talvez a mais importante e significativa de todas seja o fato de que estou de mudança. 
Não de casa, não de estado, não de vida (pelo menos não diretamente), mas estou migrando de plataformas o Mesa de Café da Manhã e depois de 8 anos utilizando o blogger, é chegada a hora de deixar esse espaço meu ainda mais profissional e ainda melhor. 
Como é tempo de mudança nesse quesito, a id visual do Mesa vai passar por algumas mudanças e esse é um dos principais motivos pelos quais eu estou tão afastada...pensar em um visual único e especial para algo que significa tanto pra mim, é muito intenso e exige um trabalho de pesquisa e concepção dobrados.
Então, quero pedir aos leitores frequentes e bebedores de café queridos que tenham paciência...nunca te pedi nada ;) rss, espera só mais um pouquinho, porque vai ter valido (e muito) a pena! 

Acho que Nelson aplaudiria

Entre as várias opiniões marcantes de Nelson Rodrigues talvez a que mais ficou comigo, tenha sido a sua ideia sobre a vida em sociedade. Nelson acreditava que era, ao observar as pessoas em seus contextos sociais que você conseguia ver as principais questões da humanidade, desde simples mentiras, até assassinatos e coisas bem mais escabrosas. 
Com isso em mente e afirmando que Nelson foi um desses caras que conseguiu escancarar tudo isso, acredito que nós seríamos bestas de não pensar nele e sua forma atemporal de descrever as pessoas e seus demônios, ao assistir a série da HBO Big Little Lies.

Assinada por David E. Kelley, baseada no romance de mesmo nome de Liane Moriarty e com um elenco de peso dando conta disso tudo, Big Little Lies fala das relações sociais de uma comunidade suburbana norte americana. Ali, um terrível assassinato aconteceu e logo, os investigadores (e nós) descobrem que nem tudo era perfeito e que aquelas pessoas escondem veneno, ressentimento, desejo, dor e violência para dar e vender.
De fato, com um mote desses, a relação que a gente fez com Nelson Rodrigues no início desse review só se intensifica, enquanto, durante 7 episódios, nós vamos tirando as camadas de véus que escondem contratos sociais complexos e tantas vezes enervantes, de um mundo controlado por aparências e descontrole emocional. Principalmente, porque a série tem um ritmo próprio, quase uma letargia morosa de soltar as questões mais importantes e as que realmente têm a ver com o assassinato (ou assim a gente acha) lenta e "durosamente". 

A falta de certeza inicial de quem é a vítima e o motivo de seu homicídio só aumenta a tensão e faz com que cada pequeno fato se torne ainda mais notável, sendo que ao longo dos episódios somos inseridos em quase que uma colagem de cenas do passado, do presente, de sonhos, ilusões, realidade e delírios. Então, não se surpreenda se, de repente, perceber que você não tem certeza de nada, já que isso faz parte da narrativa.
Outra questão que merece ser muito ressaltada é o protagonismo feminino, que assim como Nelson também observava, se embebeda das expectativas e da falsidade sociais, tornando a mulher prisioneira de uma vida misturada entre o que ela quer para si, o que ela acha que quer e o que os outros querem dela. Aí vêm os passados nebulosos, que assombram e as fazem tomar decisões loucas, revelando suas completas perdas de si mesmas...e que pancada que isso é. 

No choque de vidas dessas mulheres, Madeline (Reese Witherspoon), Celeste (Nicole Kidman) e Jane (Shailene Woodley) - entre muitas outras - questões sobre maternidade, fidelidade, amizade e compromisso são destacadas, assim como maneirismos são escancarados e tudo isso num microcosmo próprio, regido por suas regras singulares, suas crenças e seus líderes -sejam eles eleitos, coroados ou ditadores. E nisso talvez more o outro grande trunfo dessa série, que é o de não deixar que os personagens se tornem simples e banais, ao mesmo tempo em que não os torna megeras e inalcançáveis.
Se fosse me alongar em falar de cada um dos membros dessa narrativa, provavelmente iria fazer um post muito maior do que é possível nesse blog, mas vale (e muito) destacar a complexidade de Reese, a vulnerabilidade e incompreensão de Nicole e a perturbação e raiva de Shailene, que juntas, não só ocupam o lugar de protagonismo, mas que ditam o tom e o ritmo de seus coadjuvantes, entregando-se de corpo e alma para as suas personagens.
Na verdade, Big Little Lies ganha muitos pontos em sua forma de apresentar diferentes pessoas, em torno de uma vida que eles pensam ser a melhor de todas, de modo que até um embate geracional tem espaço, quando crianças e adolescentes aparecem tentando quebrar com certos rituais da comunidade, do mesmo modo como quando os 20 e tantos anos é muito bem representado por uma mãe inexperiente e que tenta lidar com o fato de que precisa crescer para si e para seu filho.
Gerações a parte, as conexões entre as personagens (e não apenas as protagonistas) são marcadas por uma fotografia gélida e ao mesmo tempo sufocante, querendo dizer algo que se complementa com uma trilha sonora única, envolvente e que dá mais detalhes (e potência) sobre a história, pontuando com ainda mais excelência um final simplesmente surpreendente...

Desafio da Cápsula - VII

Quero começar esse post dizendo para vocês que os últimos três meses foram muito complexos! Sério! 
Fazia muito tempo que não aconteciam tantas coisas ao mesmo tempo na minha vida, o que é bom por um lado, porque permite que a gente se supere e se desafie, mas é muito complexo por outro, porque as vezes não temos nem estrutura para lidar com tudo. De qualquer modo, esse início serve para justificar a falta de posts por aqui e um pouco para colocar em perspectiva o papel de um guarda-roupas funcional na hora do corre-corre. 

Parece bobagem pensar que o que a gente usa pode ser tão significativo em momentos de correria e grandes mudanças, mas eu cheguei à conclusão que poder simplesmente levantar e pegar qualquer uma das peças da sua cápsula e vestir que dá certo é simplesmente tranquilizador e presta um serviço enorme para o bem estar.

Parte 7.1

Assim como eu comentei com vocês no post passado (clique aqui se você perdeu), precisei substituir uma das peças por causa do frio, estava sendo complexo (porém muito divertido) ser criativo com uma paleta de cores tão séria e eu promovi mais uma grande limpa no meu armário. 
Depois desse período, no um mês e meio que se seguiu desde aí, comecei a avaliar se estava cumprindo com os desafios que tinha me proposto, que eram: 
1 - Compor looks que tanto fossem adequados ao frio, quanto pudessem ser usados em sala de aula. // 2 - Ver o que conseguia fazer com elementos escuros em quase todas as minhas peças. 
Apesar de serem dois desafios até que simples, preciso admitir que alguns dramas tiveram que ser superados nesse período, sendo um dos mais importantes a minha falta de experiência em compor looks mais quentinhos (vim de Belém, aonde o frio mais pauleira que eu peguei foi de 21 grau), sem que eu me sentisse sem graça. Monocromia é bacana e eu até consegui fazer algumas coisas, mas ainda penei bastante para achar que estavam realmente bacanas.
Talvez o maior dos aprendizados desse trimestre esteja justamente na necessidade de entender melhor sobre terceiras peças e como comprar elementos adequados, que tanto são bons para o frio, quanto para o trabalho, quanto para o dia a dia. 

Calças estão ganhando cada vez mais espaço no meu coração. Em grande parte pelo potencial escondido nelas, de ser uma espécie de "paleta de fundo" prontas para serem trabalhadas e em parte porque as peças (principalmente desse trimestre) se encontraram com as calças e encaixaram como uma luva!

Estou repensando essa saia. Achei ela bem sem vida, apesar da estampa bonitinha, ela é meio complicada de combinar e fico sempre com a impressão de que é um "peso morto" no corpo. Repararam que eu separei as duas blusas que eram juntas? Pois é, descobri que dava para descosturar sem perder nenhuma das duas, e acabou sendo ótimo ter mais uma camiseta básica na manga.

Uma das melhores aquisições em tempos do meu armário, definitivamente, é essa saia preta! Impressionante como ela consegue passar diversas mensagens e ainda se adaptar a múltiplas situações. AMEI!

O Salopete foi uma peça nova no meu guarda-roupas, que eu ainda estou aprendendo a usar. vou ter que fazer uma pesquisa e pegar novas inspirações para explorar mais ainda a peça. 

Quase não tive combinações com o short, porque os meses foram bem frios...

Me senti orgulhosa de ter diminuído a quantidade de vestidos, normalmente eles predominam de longe no meu armário.

Parte 7.2 - Montagem para o próximo trismestre



Eu percebi que do dia 01 de setembro ao dia 01 de dezembro eu estarei fechando um ciclo importante de auto-conhecimento e de compreensão de mim mesma. Essa é quarta cápsula, fazendo com o que eu tenha concluído o primeiro passo em busca de um guarda roupas descomplicado, funcional e com peças realmente boas, da mesma forma como ao final desse trimestre eu terei muito o que relatar hahaha. 
Por isso também, resolvi me desafiar ainda mais esse período, indo sobre alguns medos, algumas pré-concepções e outras 'certezas' sobre o meu próprio estilo. Vamos em busca de quebrar certos paradigmas e ver se estou no caminho certo mesmo! Preparados?
01 - Peças separadas: Quem me conhece sabe que eu sou a doida do vestido e que é a minha peça preferida de longe. Então esse trimestre vou me desafiar a usar mais peças separadas e, principalmente, usar mais calças, *sonoplastia de surpresa*. Sim, também percebi que não sei ser muito criativa com calças, então esse vai ser o plus do plus do desafio...
02 - Camisetas: Não se alguém reparou, mas até então eu tive pouquíssimas camisetas entre o as peças da cápsula, como eu tive boas experiências com as pontuais que estavam espalhadas pelos trimestres, resolvi quebrar com o meu preconceito com camisetas e encher essa cápsula com elas! Bora ver no que vai dar!
03 - A terceira peça: Bom, como tive essa deficiência de uso de terceira peça no trismestre passado, neste eu quero investir em tentar descobri o que me complementa melhor e quais cortes eu devo apostar. Sendo assim, eu iniciei o trimestre com uma substituição de terceira peça para mostrar ao que vim e tentar descobrir o que é possível fazer com ela.

Vamos às peças: 
4 Casacos: tricô verde escuro; bolero de poá; bolero cinza vintage e terninho preto

9 partes de baixo: saia midi branca de neve; calça pantacourt azul marinho; calça jeans azul clássico; calça legging preta; calça jeans azul acinzentado; saia vermelha cintura alta; saia preta cintura alta; saia listrada azul e branco; short preto


16 partes de cima: blusa branca com tela; camiseta rosa; camiseta listrada preta e branca; camiseta de formigas; camiseta Barbara Gordon; camiseta listrada colorida; camiseta branca; camisa boyfriend quadriculada; camiseta audrey roqueira; camisa de corações; camiseta Leia e Han; blusa peplum de poá; blusa chapeuzinho vermelho; camiseta Peggy Carter
8 sapatos: sapato boneca branco; sapatilha listrada branco e preto; sandália bege; cool rosa; sapatilha preta; sapatênis bege; sandália azul marinho; all star clássico;

3 vestidos: tomara que caia flores; vestido de estampa de bailarina; vestido azul com gola peter pan.

Vale Conferir: a parte de moda sustentável da youtuber Marieli Mallmann, que fala de minimalismo e consumo consciente sem afetação. Atualmente ela está com projeto #1lookpor1semana, bem bacana!

40 e poucos anos

O sitcom Amigos de Faculdade traz consigo uma proposta interessante de referências ao estilo icônico, revisitando uma faixa etária um pouco diferente da que tem recebido atenção nos últimos anos, mesmo que alguns dos conflitos e algumas das pirações permaneçam (e talvez esse seja o problema...).

Se pensarmos em algumas das séries sitcoms que mais fizeram sucesso nos últimos anos, pensaremos rapidamente em How I Met your Mother, Friends, Will & Grace, entre tantas outras e o que elas têm em comum é muito fácil de notar: além da óbvia relação de amizade entre seus personagens protagonistas, outro fator é a faixa etária de seus personagens.
Pode parecer bobagem numa primeira visada, mas é bacana parar para olhar essas séries e notar como elas começam em alguma lugar entre os 20 e tantos anos de seus personagens e costumam finalizar perto dos 40, quando, teoricamente, estão mais estáveis financeiramente, encontraram seus grandes amores, realizaram-se profissionalmente (ou estão neste caminho) e, muitas vezes, já tiveram uma completude no que se diz respeito à vida pessoal.
É aí que Amigos de Faculdade conseguiu um filão ímpar, trazendo personagens com seus 40 e poucos anos, ainda em busca de uma estabilidade emocional e profissional, vivendo situações corriqueiras (sitcom) e colocando em pauta como "os 40 são os novos 30".

Com bom humor, mas notoriamente em processo de experimentação, essa nova série do Netflix mostra como é possível encontrar diferentes públicos em um formato já revisitado tantas vezes e enfatiza como é importante entrar em contato com as mudanças de expectativas e de objetivos de uma população que envelhece cada vez mais tarde e que amadurece cercada de frenesis midiáticos e visuais, vive na terapia e busca por razões para ainda seguir em frente.
Já com várias nuances que flertam com a profundidade, o objetivo claro de Amigos de Faculdade é o da diversão, onde, por mais complicada que uma vida esteja, sempre tem espaço para mais um pouco de confusão. E mesmo que as motivações e até mesmo o passado dessas relações (e objetivos) sejam entregados aos poucos para nós, nada parece realmente claro em meio as crises de "meia idade(?)", que tomam boa parte do enredo, ao lado de certos enlaces meio sem sal.
Os seis protagonistas (seria 6 um número cabalístico?), mesmo que amparados por ambientes que lhes cobram maior maturidade e por isso maior responsabilidade com suas ações, parecem ainda viver infiltrados pela vibe dos 20 anos, quando foram amigos presentes e quando tinham vidas que se cruzavam de verdade. Esse contesto me fez lembrar de About Alex e até me convenceu de continuar vendo a série, no entanto não senti conexão de verdade entre os personagens, ou mesmo uma identificação com as suas vidas. Talvez tenha um pouco a ver mesmo com a idade, ou talvez seja só o caso da série amadurecer com a sua proposta.

Mesmo assim, vale dizer que o elenco é interessante e que até mostra um entrosamento, especialmente Keegan-Michael Key (Ethan) e Fred Savage (Max Adler), que convencem nos papéis de melhores amigos, que faziam tudo juntos e que não conseguem se ver como adultos quando estão juntos. A amizade de Lisa (Cobie Smulders) e Sam (Annie Parisse) também é legal de ser apontada, porque mostra de modo bem claro aquele tipo de amizade que é rodeada de momentos de inveja passiva-agressiva, ao mesmo tempo em que rola uma consideração e até um carinho, o que é mais louco. Ainda assim, muito ainda pode ser explorado e muito pode ser aproveitado entre os quarentões, especialmente porque deixa a desejar quanto ao que se esperar dessa série, que fica meio boiando de um lugar qualquer, para um lugar nenhum. 

Desafio da Cápsula - VI

Finalmente novidades sobre o #desafiodacapsula! Era para esse post ter saído há mais ou menos 10 dias, mas deu ruim por uma agitação complexa que foi esse mês. Mas não pega nada, porque segue aqui a parte 6 do que anda acontecendo nessa experiência. Já adianto para vocês que está sendo o trimestre mais complicado até então, principalmente porque, pasmem, eu não tenho quase roupa de frio e esse mês de julho realmente gelou em Belo Horizonte!
Então bora lá!



01 - O clima esfriou
Quem não lembra, pode ver na parte V as informações sobre as roupitchas que eu separei para esse trimestre. E quem se lembra, deve ter percebido que eu coloquei muitas partes de cima com manguinha, que tanto eu poderia usar em uma viagem para Belém (que aconteceu), quanto para BH, num clima friozinho. Isso porque as referências de frio que eu tive nesta cidade datam de 2014 para cá, e nos últimos anos não fez nem metade do frio que fez esse ano! 
De madrugadas com 6ºC, a ventanias congelantes na garganta, adoeci duas vezes e decidi substituir uma blusa que eu tinha usado uma vez apenas, por um suéter mais quentinho. Será que eu alguém vai me condenar por essa mudança?


02 - Paleta sóbria e chata (?)
Realmente precisei bolar saídas criativas para os looks não ficarem tão monochatos neste trimestre. Isto porque a paleta do trimestre é constituída, basicamente, de preto, azul marinho e roxo, com algumas poucas variações de cores, como vermelho, lilás, branco, laranja e amarelo, mas tudo em tonalidades e detalhes, de modo que a maior parte de tudo é bem monocromático.
Eu tenho um histórico interessante com monocromia, porque até o meio da minha adolescência eu adorava preto e roxo, então usava muito essas cores (tirando os momentos de uniforme, né...), mas depois eu dei uma mudança de cores, que me acompanha até hoje. Tento mostrar a minha personalidade com as peças e apesar de não usar tanta estampa, a maioria das minhas peças hoje tem pelo menos duas cores, ou são de uma cor muito alegre. É claro que isso não se aplica às partes de baixo, que, como eu comentei no trimestre passado, eu achava que não combinava comigo...
Aqui algumas combinações monocromáticas que eu curti demais esse meio trimestre.
Usei muito detalhe, como fitas, meia calças e acessórios coloridos. Fora que, apesar da monocromia das peças, eu optei por sapatos mais vivos, dando um toque mais claro nas roupas ;)

03 - Eventos Formais (casamentos, formaturas, aniversários phynos, bodas e algo que exija uma arrumação mais específica...)
Esse trimestre eu tive alguns eventos para comparecer, aí acho bacana aproveitar esse fato para falar sobre roupas para eventos mais formais, que acabam seguindo uma lógica um pouco semelhante, mas não estão diretamente dentro da Cápsula. Seguindo as orientações da Caroline (lembra dela?) e da Susie (e dela?) eu resolvi começar a montar uma seleção para eventos formais que funcionasse respondendo a pergunta:
Quantas peças eu preciso? Caroline comenta em seu site que depois de anos testando o que tinha no armário, ela chegou à conclusão de que precisava de apenas seis peças para compor os visuais, levando em conta os temas "ocasião divertida", "ocasião despojada/moderna" e "ocasião mais formal/clássica". Particularmente, acho que a organização dela é bastante válida, mas ainda não cheguei num número exato e nessa confiança toda da moça de usar sempre as mesmas peças. Mesmo assim, estou trabalhando isso. No ano passado mesmo eu fui para dois eventos (uma formatura e um casamento) usando o mesmo vestido, e nesse trimestre eu peguei dois vestidos que eu comprei para o dia a dia e usei em dois casamentos diferentes.
Ambos os vestido são da Vivi (acesse aqui para conhecer) e ambos foram ótimos para as duas diferentes ocasiões, já que eram casamentos diurnos e com uma proposta não tão formal.

Com o tempo, acho que vou encontrando as peças e o que funciona para mim. Acho que estou caminhando mais para a ideia da Susie, que prefere integrar o todo de seu guarda-roupas, mais do que criar temas...
Vamos ver...

04 - Faxina no armário e no Enjoei :P
Com algumas situações que aconteceram na vida durante esses dois primeiros meses, eu acabei fazendo uma nova e intensa faxina no meu armário, passando adiante algumas peças, inclusive algumas que estavam na loja do Mesa no Enjoei ;P, logo, sinto muito se você ficou esperando para comprar algo que gostou, mas ele já deve ter sido passado adiante, rss.

Sobre a Inspiração (ou falta dela)


Uma vez ou outra acontece comigo. Eu fico sem inspiração para produzir. Sejam textos para o Mesa, textos sobre a vida, textos acadêmicos e até falta inspiração para fazer coisas mais simples. 
Desenrolar do cobertor macio e quentinho, por exemplo...
Isso acontece em ciclos e gosto de pensar que não é uma situação permanente. Normalmente têm a ver com todo o resto que tá rolando no dia a dia, com as expectativas de um determinado momento é com as frustrações ocasionais, em perceber que a gente vai crescendo, vai amadurecendo, mas tem muita coisa que nos acompanha.
Quando esses momentos sem inspiração acontecem, eu me coloco à disposição da descoberta. Ouço novos sons, leio novas aventuras, renovo as esperanças e mudo alguns hábitos. Permito-me admitir que acontece de, e por mais que eu queira o contrário, o papel continuar em branco, a barra de texto ficar só piscando e o que me resta é ficar mordiscando o que já foi escrito.
Aí eu rompo com a rotina. 
Vejo uma série nova, me delicio com personagens que estou conhecendo pela primeira vez, encaro o marasmo e abraço o tédio por um tempo. O problema é quando esse tempo é tempo demais. Mesmo que o "tempo demais" seja relativo a quem pergunta. Porque quem vive da palavra e pela palavra não pode se dar ao luxo de ficar muito dele sem vê-las, sem usá-las. 
Sem degustá-las.
Então eu invento um artigo para desenrolar. Me encho de possibilidades, na possibilidade da inspiração aparecer. Dela despertar do nada e fazer uma lâmpada acender na minha mente, pronta para virar alguma outra coisa, normalmente entre vírgulas, pontos e acentos. É o momento de olhar a imagem maior, se distanciar e respirar. Olha só o que a falta faz vir. Olha só o que é capaz de produzir.
E na dúvida vem a vontade de ir em frente, em busca das questões misturadas.
Do artigo vem o turbilhão, do filme vem o post, do momento vem a trama, do personagem vem a ideia. 
Da ideia a inspiração. 
E da inspiração vem a falta dela mesma.
Como é engraçada essa vida em ciclos...

Café para Ouvir #16

Playlists bombando no spotify do Mesa e dessa vez tem Bethânia, Demi Lovato, Edinho, James Bay e até Spice Girls. 
Aperta o play e curte com um cafezinho!

01 - Era pra ser - Maria Bethânia
02 - Thief - Ansel Elgort
03 - No Promises - Cheat Codes feat. Demi Lovato
04 - What do I Know? - Ed Sheeran
05 - Game of Survival - Ruelle
06 - Chifre não é asa - Thayná Bitencourt
07 - Telegrama - Zeca Baleiro
08 - The Wind - Yusuf feat Cat Stevens
09 - Don't want it back - Sabrina Carpenter
10 - Hold on - Colbie Caillat
11 - Stay right where you are - Ingrid Michaelson
12 - Need the sun to break - James Bay
13 - Never give up on the Good Times - Spice Girls
14 - Teach me Tiger - April Stevens
15 - We know the way - Moana OST
16 - Sua Cara - Major Lazer feat Anitta & Pabblo Vittar

Boss(y)

Desbocada, Descontrolada, (um pouco) Desmiolada, mas muito Determinada. Esses são alguns dos adjetivos que descrevem a protagonista de Girlboss e a forma como Britt Robertson deu vida à Sophia Amoruso, na série original da Netflix, baseada na vida e no livro da própria Sophia.

Estando com tudo nos últimos anos, Britt tem aparecido cada vez mais nos radares dos produtores de Hollywood, ao ter se atrelado a filmes um pouco mais "fora da curva" e ter feito personagens interessantes, complexas e bastante intrigantes. Com a Sophia da série Girlboss, não foi diferente. Com uma pegada que passa longe das comédias românticas, essa série faz uma releitura da história de Sophia Amoruso, uma super respeitada fashionista e dona de uma das lojas mais bem sucedidas da história do e-Bay, a Nasty Gal, que ela criou com 23 anos. Releitura é a palavra certa, porque, com o aval da própria Sophia, Kay Cannon (A Escolha Perfeita e Como ser Solteira) deixou a imaginação fluir e assinou o roteiro de uma série cheia de momentos intensos, viradas especiais, mas com uma mensagem muito importante para os dias de hoje: "Ei, tudo certo errar, falhar, desde que você levante a poeira e tenha coragem de seguir em frente!".

E que em frente! Se no primeiro episódio somos embalados por uma Sophia (Britt) totalmente avoada, sem perspectiva de um futuro e sem entender muito bem como chegar à vida adulta, no caminhar da primeira temporada a personagem cresce, aprende, apanha, luta e percebe que é vivendo a vida que a gente percebe o que fazer dela, mesmo que demorem anos para isso. 
Para quem não conhece, Sophia Amoruso começou uma loja no e-Bay, revendendo roupas vintage, re-estilizadas para a contemporaneidade. Apesar do seu estilo pessoal ser uma mescla de décadas passadas, algo que foi lindamente transmitido na série, as roupitchas que a moça vendia iam desde um prom dress cafonérrimo que ganhou uma nova vida; até uma jaqueta punk rock dos anos 80, estilo biker, com contas. Com um bom gosto que impera, Sophia passou de lojinha no e-Bay, para uma super loja online, até ter pontos comerciais disputadíssimos em LA e tudo isso em 7 anos! Um recorde e, de fato, uma história notável, especialmente para uma pessoa que comia pão do lixo (isso não é metafórico).

A série assim, vai na ascensão (e talvez queda) da Nasty Gal, enquanto traz em foco diversas questões dos 20 e tantos anos, que estão começando no mercado de trabalho e que estão à procura de um espaço que lhes pertença verdadeiramente. Nesse sentindo, Girlboss enche a mão, retratando de um jeito inteligente e perspicaz a busca de si próprio, o amadurecimento e a caminhada que vem com tudo isso, enquanto é sonorizado por músicas de diferentes épocas, sendo a playlist no Spotify um dos maiores presentes dessa série. 
Os sons transitam pelos anos e ajudando a contar a história, enquanto acrescentam algo mais, nos ligado às sensações da personagem, bem como aos eventos. Algo que também auxilia a ideia de que a série, apesar do nome sugestivo, não é apenas para garotas, mas se expande para todo um universo que tem a ver com idade, tem a ver com geração e tem a ver com a vida. 
P.S - Queremos uma Segunda Temporada, tá, Netflix?!
P.S 2 - Queremos mais RuPaul na segunda temporada também, tá, Netflix?!

Heroína Inata

Com a realeza de uma princesa, a dureza de uma guerreira e o respeito que uma personagem clássica e importante merece, o filme de estreia da Mulher Maravilha nas telonas traz todos os elementos que a DC tinha errado a mão, vira-os ao contrário e entrega um dos melhores (quiçá o melhor) filmes de super heróis dos últimos anos.

Talvez um dos maiores problemas ao fazer histórias de origem seja ter que lidar com o conhecimento e a expectativa públicas, acerca de como essa narrativa será contada. No caso de Mulher Maravilha é seguro dizer que essas tais expectativas foram superadas, mostrando a história de Diana com a atenção suficiente para aqueles que não conheciam de onde a personagem veio e com o esmero de entregar ao fã da personagem ótimos efeitos, batalhas épicas e uma personagem condizente com a que acompanhamos desde o seu início, e reafirmando: "Não se engane, a mulher maravilha não é apenas um 'tapa buraco' para o público feminino, é um alicerce indispensável para o universo inteiro da DC e também por isso, precisava de um filme a sua altura."
Insha'Allah!
Estávamos clamando pela entrada definitiva das heroínas protagonistas no cinema e é preciso dizer que a espera valeu muito a pena, ao ver como elas têm potência, têm força, têm ritmo e, principalmente, tem regência suficiente para carregar duas horas nas costas, com tranquilidade e sem bagunçar o cabelo.

Outra questão que deve ser destacada é o alinhamento do filme com os anteriores desde Homem de Aço, que dá aos diretores responsáveis pelos longas uma liberdade autoral um pouco maior que a fórmula pasteurizada (mas que continua funcionando (será?)) da Marvel. É preciso dizer esse quê autoral causou muita estranheza em filmes como Batman vs Superman, Esquadrão Suicida e até o já citado Homem de Aço, o que não quer dizer necessariamente que são filmes ruins, apenas que não deram tão certo para o grande público, quanto poderiam ter dado
Sobre essa questão, eu gosto de pensar que eles andavam testando a mão para encontrar um lugar que se encaixassem com os seus heróis (que particularmente acho que são bem melhores que os da Marvel), sem usar um modus operandi específico e respeitando o que esses personagens tem de melhor, que são as suas próprias histórias e a profundidade de suas personalidades.
Não sei quantos de vocês chegaram a acompanhar uma saga de algum dos personagens da DC, mas todos eles são extremamente complexos, com histórias intricadas, dramas existenciais e muito envolvidos no que faz um herói ser um herói, sendo esta, talvez, a verdadeira essência (ou tentativa de essência) dos filmes da DC.

E isso foi lindamente alcançado em Mulher Maravilha, que além de ter dado espaço para a história se desenvolver, deu a Gal Gadot o sacramento de ser a escolha ideal para a personagem, mostrando as diversas facetas de uma mulher maravilhosa (com o perdão do trocadilho) e que tem como principal arma os seus princípios, a crença no amor e a sede de justiça!
É de se aplaudir Patty Jenkins, que anteriormente dirigiu o excelente Monster e que agora deu conta de uma história de super heroína, sem cair em armadilhas de gênero feminino, tantas vezes confundido com os chick flics da vida, uma direção que só melhora com um roteiro consistente, que entrega diálogos perspicazes, tão interessantes quanto os efeitos especiais, ou o figurino reestilizado do clássico short-fralda (lol) dos anos 70 e muito mais sofisticado (convenhamos).
Agora a gente espera...espera com um super hype pela Liga da Justiça, espera com esperanças de que a DC tenha encontrado o seu campo e espera também que não caiam em formuleta boba. Bora lá, tem muito mais DC para explorar, incluindo dois filmes que eu já estou completamente ansiosa, o da Batgirl e do Asa Noturna
Vem DC!
Vem com tudo!!